sábado, 22 de março de 2008

Em pé de guerra

Antes de voltar aos fatos que nos levam até o nascimento do Tarzan, vim contar o fato de hoje.

Desde que nos mudamos aqui pro bairro do Tarumã, eu nunca havia visto um rato dentro de casa. E hoje lá estava ele, sobre os botijões de gás, pra desespero da Tosca. Desespero mesmo. A ponto de acordar os vizinhos de manhã. Mas não eu, que tenho o sono mais pesado da história da humanidade.

Assim que descobri o que estava acontecendo, fui ver de perto. Uma cadela preta latindo tudo que já havia latido na vida, e um filhote branco com manchinhas marrons correndo atrás dela, e por vezes mordiscando a nossa pobre protetora contra seres de outras espécies. A especialidade dela é passarinhos, o rato era um novo desafio.

Eu e meu irmão cutucamos o rato três vezes, e ele sempre subia de novo. Tiramos o acesso dele ao seu esconderijo elevado - uma vassoura - e ele se viu contra uma cadela disposta a tudo para vê-lo morto. O modo com que ela colocava os focinhos no pouco espaço que os botijões deixam entre eles e a parede era notável. E ela não parava: o rato corria por trás, ela se enfiava naquele canto, atrás dele.

Eis que o rato saiu. Meu irmão acertou ele uma vez, eu uma outra. Ainda assim, ele correu pela nossa pequena horta, atrás logicamente de um novo esconderijo, sabendo que aquela fera de 45 cemtímetros de comprimento e 20 de altura com certeza viria atrás dele. Ledo engano. Durante os próximos 10 minutos, ficamos eu, meu irmão e o Tarzan roçando um montinho de lixo atrás dele, enquando a Tosca ainda o procurava atrás dos botijões. E não adiantava trazê-la pra perto, ela voltava para o local do início da procura quase que por magnetismo. E ninguém mais viu o rato, que deve estar lá até agora.

Falei que o Tarzan estava conosco nessa nova busca. A verdade é que foi o único momento em que ele deixou de lado o seu arqui-rival: um ameaçador tapete de pano, e ele não iria sossegar até vê-lo em frangalhos. Mais tarde, depois de ter se aliviado no chão da sala se estar, ele deve ter entendido como o tapete se sentiu na boca dele. Pelo menos o tapete não saiu cheirando fezes.

sexta-feira, 21 de março de 2008

"Eu acho que ela tá prenha..."

Devem existir jeitos melhores de se contar uma história de um cachorro do que através de um blog. Que o diga John Grogan. Mas me parece que é um dos melhores jeitos de acompanhá-la ao vivo. Hoje, 21/03/08, o Tarzan faz dois meses de vida. Eu já vinha com a idéia deste blog na cabeça enquanto lia "Marley & Eu", mas com a correria do dia-a-dia ficava difícil parar e começar a escrever. Benditos sejam os feriados!

Neste primeiro post - e talvez nos próximos -, vou concentrar a história do Tarzan muito antes de alguém esperar por ele.

Nunca fui um grande fã de cachorros. Na minha infância, tive três gatos, o Kiko, o Tico e o Cat. Um morreu, outro fugiu, outro morreu enquanto fugia. Nunca houve uma grande identificação com outras espécies do reino animal dentro da minha casa, apesar de vários ácaros não fazerem nenhuma questão de se desfazer da nossa companhia. Particularmente da minha.

Mas a vida é uma caixinha de surpresas e numa bela manhã de sol (ou teria sido de noite no meio do trabalho?) apareceram um cachorro e uma cadelinha. Todos os meus colegas eram fãs de cachorros, o que me deu mais paciência com os bichanos, mas nada mais que isso. Até o dia que esta cadelinha apareceu, com a perna machucada. Era uma meia dúzia de cabeças em cima dela, com pena. Todos queriam levar pra casa, mas um morava em apartamento, outro já tinha 50 milhões de cachorros, outro não queria correr nenhum risco de vida. Sobrou pra mim.

Desde agosto de 2005 a Tosca mora com a gente. Vira-lata preta, pequenininha, incansável, insaciável e palhaça. Merece um blog só pra ela também! Mas ela estará sempre presente aqui, o que nos permitirá conhecê-la melhor.

No próximo post eu falo da escolha do nome do filhote. Mas queria aproveitar pra registrar a nossa primeira briga com ele, justamente no aniversário. Quem mandou comer as plantas da minha mãe? Mas não resisti ao pequenuto de dois meses e deixei ele roendo um osso.